terça-feira, 20 de agosto de 2013

O pequeno incômodo: vírgula (ii)

"A vírgula não nasceu para humilhar, mas para salvar"


Pois é, meus amigos! Muitos com tão poucas, e poucos com tantas dúvidas! Mas é assim mesmo, até hoje estão traduzindo o manuscrito do mar morto, e olha que ele já morreu há séculos!
 
A vírgula, ao contrário desse mar, além de bem viva, sobrevive nos cantinhos das orações, sejam elas com tendências vocativas, explicativas, etc, nos revela que somos meio peraltas e tentamos, mesmo assim, retirá-la de nosso cotidiano, a escrever, muitas vezes, sem pausa, sem pontuação...  Não podemos!
 
Hoje, recebi um texto assim...
 
 
"Dentro de uma carga horária de 20 horas, as discussões serão divididas em painéis por ordem cronológica...".
 
É um evento que será realizado em homenagem à Consttuição. Mas não temos nada a ver com isso, e sim com a... Vírgula. Ela, bem colocada, após a grande oração adverbial de tempo (ou temporal), não estava ali, deixando margem para que pudéssemos ter dúvidas quanto à sua colocação.
 
Como eu dissera antes, a pausa é sempre bem-vinda quando a oração nos vem intercalada (fora do seu lugar natural), ou iniciando o período, como é o caso da oração acima.
 
 
Se eu não colocasse vírgula, ficaria assim...
 
 
"Dentro de uma carga horária de 20 horas (oração iniciando a estrutura) as discussões (sujeito) serão divididas (expressão verbal) em painéis por ordem cronológica (advérbial, em seu lugar natural)...".
 
 
A meu ver, assim como o de muitos gramáticos, se não colocássemos a vírgula, após a primeira oração adverbial, o periodo ficaria imenso, e o sujeito estaria isolado, perdido; ou por uma questão de ética gramatical, a própria sintática o pede, cabendo, aqui, uma pausa excelente.
 
 
 
Vamos escrever mais,
porém com mais atenção.
 
 
Reginaldo França
 
 

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