Olá, meus amigos e camaradas, tudo bem? Calma, camarada não! -- dizem as más linguas que "camarada" vem de cama, leitos estreitos nos quais dormiam os soviéticos, na Segunda Grande Guerra, a espera de ajuda... E adivinhem.. Dormiam juntos! Então... Nada de camaradas, só irmão, amigo... Ok?
Muitos ficam a se perguntar... "Meu Deus do céu, que inferno é esse no meio das palavras, que me impede de conseguir o paraíso!..." -- É a vírgula. Um sinal de pontuação com a finalidade de pausar as orações, deixando-as mais claras, mais sintéticas. Caso contrário, teríamos uma avalanche de palavras com intenções de dizer algo, porém nos traspassando um pequeno desconforto.
A vírgula seria o conforto. Mas, como todo conforto, que não é gratuito, teremos que aprender acerca dele e... Descansar. Ok?
Pausa e Vírgula
Em primeiro lugar. A vírgula é pausa. Mas nem toda pausa é vírgula, ou como diria o gramático Celso Luft, "...se fosse assim, todo gago, ao escrever, colocaria vírgula em seu texto..." -- terrível esse cara, mas correto!
Porém, não é apenas o gago, mas pessoas cuja dicção é perfeita é que nos infernizam com suas colocações não sintáticas, cansativas, por mero desconhecimento gramatical. E isso é perigoso...
Saber acerca da vírgula não é apenas uma questão gramatical, relativa, mas pode salvar vidas!
prestem atenção nesta...
"Eu quero, ajuda"
Aqui, não se sabe o que quer, pois a vírgula -- mal colocada -- interfere na transição do verbo. Sintaticamente, deve-se entender que há verbos transitivos, que pedem, exigem, clamam por complementos, e jamais devemos deixar de atendê-los.
Se dissesse: "Eu quero... Ajuda", tudo bem, daria entender que o pedinte (quer dizer, o individuo...) estaria sem fôlego ou em uma situação "baiana de ser", com preguiça de dizer "Eu quero ajuda", e, com o sinal de reticências, como todos sabem -- espero -- o verbo querer não se bloqueia, mas fica suspenso rapidamente, o que não ocorre com a eventualidade primeira, ao colocar a vírgula. Então, sem vírgula a estrutura acima (Eu quero ajuda).
Outra
Eu canso de corrigir textos em que a pessoa acredita que, depois do sujeito, mesmo pequeno, vem uma vírgula...
O Supremo Tribunal Federal (STF), vem tratando a questão do mensalão com relativa naturalidade (...).
Aqui, claro, não chega a ser nenhum sujeito oracional, mas tão simples que chega a ser caipira. Temos o "STF" como sujeito, "vem tratando...", como expressão verbal principal do sujeito... E o próximo não vamos comentar e ficamos apenas com a má colocação da vírgula.
Não há vírgula entre sujeito, verbo e complementos, quando em ordem direta.
Sujeito + verbo + complementos > sem vírgula.
Complementos + sujeito + predicado > depende.
Veja bem...
O menino comeu demais.
sujeito + verbo + complemento > sem vírgula.
O menino que andava com minha filha (sujeito) comeu (verbo) demais (complemento) > sem vírgula.
Se em algum livro, de alguma forma, já citar alguém ou alguma coisa anteriormente, não precisamos colocar vírgula depois, mesmo porque teríamos orações explicativas -- ou seja, somente explicando o que dissemos antes.
No nosso caso acima, seria assim...
O menino, que andava com minha filha, como eu disse, comeu demais. (a vírgula se faz necessária para explicar o anterior). Aqui aprendemos duas coisas: que não se coloca vírgula em orações quando o sujeito, verbo e complementos vierem na forma direta, mas também, coloca-se quando as orações forem explicativas, ou a depender do tamanho do complemento quando deslocado, sim, também, vírgula.
Ao comer demais nesse dia, o menino que andava com minha filha foi para o hospital.
Complementos + sujeito + verbo > vírgula.
Ao comer demais nesse dia, o menino que andava com minha filha foi para o hospital.
Complementos + sujeito + verbo > vírgula.
E o que é explicativa e restritiva?
Exemplo de explicativa...
"O homem, que é mortal, busca a imortalidade" / por mais que caiamos na esfera subjetiva da questão, temos que entender que a pontuação é sintática, não filosófica.
Exemplo de restritiva
Se eu disse "O homem que é mortal busca a imortalidade", estaria me referindo apenas ao homem mortal, deixando de lado o imortal.
Por hoje é só.
Reginaldo França
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